sábado, 7 de janeiro de 2012

Retrato Falado

Eles estavam sentados muito juntos, sobre a pedra ainda morna pelo sol do dia inteiro. Ele a abraçava por trás, enlaçando-a com braços e pernas. Apoiava a menina corada e feliz em seu peito ainda agitado. Ambos sorriam o sorriso sutil do amor recém concretizado e olhavam para o horizonte.
Ela pousara uma das mãos em sua coxa nua e a outra sobre os braços que lhe enlaçavam a cintura. Eles tinham por testemunha um céu muito azul e por moldura as muitas árvores da floresta silenciosa. Quase nada os interompia, quase nada os interessava, além do compasso ritmado de seus corações irmãos, de suas almas gêmeas.
Ele beijava o lóbulo de sua orelha, ela beijava-lhe a mão forte. Trocavam murmúrios apaixonados e beijos doces e urgentes. Não sabiam as horas, nem queriam saber. Não queriam ir embora, não queriam se despedir. Pensavam em nada, só queriam estar ali. Ela se sentia segura, feliz, inteira, apesar do medo do amanhã. Ele não pensava em nada, só vivia o amor que se apresentava.
Quando enfim resolveram ir embora o semblante dos dois se alterou. Ele ainda a protegia, a guiava, amparava e amava. Ela ainda o olhava intensamente, como se precisasse gravar na memória cada detalhe seu, para poder lembrar-se depois.
Viviam assim, se amando e se despedindo...

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