quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

e Natan veio me visitar

Ele surgiu enconstado ao muro, com sua bicicleta. Surgiu e já me tomou por amiga, mesmo eu sendo velha para isso. Cabelos encaracolados e oito anos de inocência nos olhos aguados. Perguntou pelo cachorro que eu não tenho e ficou olhando a mangueira com que eu lavava o portão. Ficava dando voltas no quarteirão em sua bicileta e quando vinha, parava e fazia perguntas.
Como é seu nome? Você tem um filho pequeno? Em meio a minha tarefa de lavar o portão soube de suas aventuras, porque ele quer ser aventureiro. Seu nome é Natan, porque nasceu no natal, está no segundo ano e mora pertinho de mim, na rua de trás. Teve catapora e ainda carrega as marquinhas por todo seu corpo, mas já está bom, ficou um mês internado, "pode parecer pouco, mas não é!" sentencia. Não é mesmo!
Educado, ele pergunta e responde nos tempos certos, não invade, não ironiza, não debocha, ainda tem a inocência daqueles que enternecem, os anjos. Na hora que fiz para ser sua amiga, enquanto ele ia e vinha , ele dizia "eu já volto e a gente se vê, se você estiver aqui, espero que esteja!" ele gostou de mim. Disse que sou legal e eu quase beijei suas bochechas rosadas.
Enquanto eu esfrego o portão ele senta na calçada, comendo um lanche que trouxe numa das "viagens", falando sempre sobre suas coisas de criança. Acabo o que tenho a fazer, quase com pena de deixá-lo. "Puxa! Vou sentir saudade! Gostei tanto de você! Ainda bem que agora sei onde você mora e posso vir te ver!" ele diz, realmente triste e eu o beijo bem na marquinha da catapora em sua testa suada.
Até qualquer dia Natan, também gostei de você!

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