quarta-feira, 13 de julho de 2011

Elas possuíam olhos largos e opacos. As duas nem ao menos se conheciam, mas percebi nelas o mesmo olhar. Um olhar desatento e fugidio, onde não cabiam sorrisos. Olhares pedintes, que diziam palavras diferentes das proferidas pelos lábios. Um olhar denso, onde cabia toda uma dor e toda uma súplica de amor. Eram tão jovens ainda, mal podiam sustentar a minha curiosa surpresa, mal podiam conter sua própria tristeza.
Essas meninas, carentes de um amor que lhes era de direito, o amor de um pai, eram somente olhos vagos, imensos, assustados, pedintes, pois todo o resto se perdia em futilidade. Olhares onde eu poderia me perder na esperança de fazer a diferença.
Olhares onde eu poderia me encontrar na imensa dor que eu quase entendia. Olhares que eu surpreendi envergonhada, na impossibilidade de poder retê-los ou mudá-los em brilho, em luz, em alegria.
Duas meninas, duas histórias, coincidências, abandono e medo e olhares grandes e dispersos pelo mundo. Uma quase cegueira que as obriga a ver mais, enquanto se tornam olhos, apenas olhos, que gritam em silêncio para quem tem pode ouvir.

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